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domingo, 26 de setembro de 2010

Trechos da entrevista com Carlos Lombardi.

Carlos Lombardi, autor de novelas, nascido em 27 de agosto de 1958. Escreveu secessos como Vereda Tropical, Bebê a Bordo, Quatro por Quatro, Uga Uga e Kubanacan. Sua última novela foi Pé na Jaca. Escreveu também os seriados O Quinto dos Infernos e Guerra e Paz. Está trabalhando num remake da novela O Rebu.



O que representou a falência da Tupi para o mercado em geral?



Carlos Lombardi – Atrasou muito o mercado televisivo no Brasil. Só voltei a ganhar em dólar o que eu ganhava na Tupi uns 15 anos depois.



A Record já convidou você para trocar de emissora?



Lombardi – Já. Mas as multas são astronômicas, né? Então vamos esperar acabar o meu contrato para ver como é que fica.



Ator costuma dizer que fazer rir é mais difícil do que fazer chorar. Você concorda?



Lombardi – Não sei se é mais difícil. Mas é mais demorado. Um capítulo melodramático é mais fácil de fazer do que um cômico. Se estou atrasado para entregar um bloco de capítulos, escrevo mais cenas melodramáticas. O melodrama exige apenas honestidade emocional. Já a comédia é matemática. Para concluir a piada na cena em que o cara caiu da cadeira, tenho que construí-la de trás para frente... Esse tipo de cena exige mais raciocínio do autor. É como jogar xadrez...



Betty Lago, Marcos Pasquim e Danielle Winits são apenas alguns dos atores com quem você sempre trabalha. Quais são os prós e os contras de escrever sempre para o mesmo elenco?



Lombardi – Prefiro repetir elenco a não ter elenco. O que em faz repetir elenco é o seguinte: não é todo mundo que sabe ler comédia. Comédia exige uma pontuação muito específica. Às vezes, tem gente muito boa que simplesmente não consegue. Então, quem consegue e dá certo, eu anoto o nome e, se puder, repito mesmo, sem o menor problema.



Você tem alguma novela liberada para o Vale a Pena Ver de Novo?



Lombardi – Eu? Imagina... Nenhuma. Uga Uga e Kubanacan já foram proibidas para o horário livre.



A heroína de Vira-lata, Andréa Beltrão, não criou empatia com o público. O que fazer numa situação dessas?



Lombardi – Não criou empatia? A Andréa Beltrão foi chata pra caramba. Nunca mais pretendo escrever ou trabalhar com ela.



Por que há tão pouca renovação no gênero?



Lombardi – Está cada vez mais difícil formar autores porque você precisa de gente que saiba escrever. E, para piorar a situação, quem escreve novela tem que ter um temperamento filho da p... para agüentar a pressão. Eu sempre digo o seguinte: santo não sobrevive! Se você não adotar uma postura de general, vai ser esmagado. Como a autoridade decisória cabe aos diretores de núcleo, os autores que estão sendo formados, quase todos eles, são escolhidos por serem dóceis. Os dois últimos que deram certo são João Emanoel Carneiro e Walcyr Carrasco. Acontece que Walcyr Carrasco é o falso dócil. Se ele tiver que atropelar, atropela mesmo. E o João Emanoel Carneiro é temperamentalíssimo. Óbvio que talento é fundamental. Mas o autor não pode ter atribuição de general e temperamento de soldado raso.










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